25.6.08

Baianidade porreta


Por mais conselhos que me dessem, eu sempre achei que não iria sentir dificuldades em me relacionar com os baianos, inclusive os que mantém acesa a rixa de 'quem é melhor', ou mais cultural? Bahia ou Pernambuco. Para descobrir a verdade neste São João, resolvemos sair do eixo Recife-Arcoverde e encarar uma maratona para conseguir passagens aéreas light (de liso). Deu certo!


Desembarcamos na sexta em Salvador. Depois de Piatã, Itapoã e ãã... fomos vítimas do assédio dos vendedores de artesanato no Farol da Barra. Câmera na mão e mochila nas costas. Até o momento, ninguém nem aí pra gente. Parecia que éramos baianos. Foi na entrada do Farol, que recebemos o primeiro sinal de que não éramos soteropolitanos... uma fita do Senhor do Bonfim pra cada um: “é de graça meu rei, mas vou fazer uma promoção de colar pra proteção”... Emanuel vendera sua quota de colares do dia, cinco, de todas as cores e tamanhos, e foi descansar porque já havia trabalhado muito e as mercadorias estavam pesando no braço.

Fomos para Mar Grande, localidade da Ilha de Vera Cruz, próxima a Itaparica, por indicação de um amigo. É Mar Grande, mas poderia ser Mar Calmo ou Mar Romenos, de tanto marasmo... no segundo dia, partimos para Morro de São Paulo... aí começou a aventura. Um Táxi que passou por, acreditem, Cacha Pregos (tenho foto pra provar); uma lancha rápida que saiu do Rio Una em Valença e foi parar em Gamboa antes de atracar no Morro (o do santo).

A estrutura turística baiana, que já se mostrara infinitamente superior à pernambucana, agora desembestou. O lugar é lindo, naturalmente lindo, e o governo o trata com o respeito que merece. São quatro praias paradisíacas, guardadas por fortificação anti-holandeses e demais invasores do século XVI em diante, de onde é apreciado um pôr-do-sol estonteante, apesar da greve dos golfinhos.

A praia um é boa pra hospedagem, a dois é a da farra, a três, para esportes náuticos e a quarta praia é a do sossego, onde a gente caminha até dar uma dor, literalmente.

Numa dessas águas, uma senhora e sua mãe, encostaram os pertences em uma pedra, justamente quando passávamos por perto, e disse:


- Mãiê (sotaque, provavelmente carioca), vem mais pra perto porquê eu não posso me afastar da bolsa.

A doida achou que éramos batedores de carteiras disfarçados de banhistas no Morro de São Paulo. O pior é que eu tava com a máquina, a bolsa da máquina, toalha e demais apetrechos... como é que eu iria arranjar lugar pra bolsa dela?

Pode-se resumir a vila de Morro a três tipos de construção: pousadas, restaurantes e pousadas-restaurantes. Nossa pousada na praia um era excelente. Seus quartos não deixavam nada a desejar em relação a um hotel de Porto de Galinhas ou da Via Costeira de Natal. Melhor ainda era o café da manhã. Delícias da culinária regional e baiana, de encher os olhos e os meus pratos. Tinha um tal de bolinho de estudante e de queijadinha que... epa! Adivinha quem acaba de entrar? A doida que achou que eu era ladrão! Vocês precisavam ver a cara dela me vendo aqui na pousada... ou ela tá envergonhada por ter me julgado mal, ou tá mais louca ainda, pensando que estou perseguindo-a!

Vou-me embora da ilha direto pra Salvador, de catamarã, com saudades do clima e da atmosfera de Morro.

P.S.: Voltarei...


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