10.9.06

Três de lado e uma de frente


Descobri, da pior maneira possível, que aquela estória da vida que passa como um filme na nossa mente, no instante de um acidente, com o perigo da morte rondando, ou melhor, rodando junto com o carro, é tudo “balela”! Não dá tempo de pensar em nada... muito menos em assistir filme!

Com a graça de Deus, havia acabado de deixar meus dois filhos na casa de praia da mãe deles em Itamaracá. Fiz aquele percurso uma centena de vezes. Conhecia aquelas curvas como quem conhece as curvas da sua mão. Tratava-as bem, mas naquela tarde do dia nove, uma garoa fina e persistente ajudou a deixar as coisas, como direi? Escorregadias...

Após uma ultrapassagem em um local permitido, me deparei com a “derradeira”, a curva que foi o pivô do acontecido. Devo ter entrado nela beirando os 70 Km/h, velocidade mais que segura para aquela parábola. Como disse antes, já havia passado mais de 100 vezes por ali, e mais de 50, pelo menos, na mesma velocidade. Não contava com o que me aguardava... um motociclista vinha em sentido contrário, beirando a faixa, enquanto eu ainda estava descrevendo a trajetória curvilínea. O susto foi inevitável, virei abruptamente o volante, foi suficiente para o carro derrapar, atingindo com a traseira o coitado do motociclista e jogando-o longe, no matagal. Enquanto isso, o desespero tomou conta da direção. Atingi o acostamento, capotei três vezes de lado e uma de frente. O carro parou de rodas pro ar. Nesse momento agradeci muito a Deus pelo acidente ter sido na volta e por estar sozinho. Depois veio a preocupação com o motoqueiro...

É incrível como “brota” gente do chão nessas horas. Não havia ninguém na estrada, tanto é que não houve testemunha do acidente, mas quando consegui me livrar do cinto e despencar sobre o teto amassado do carro, já tinha um cara perguntando se “tinha alguém vivo aí?” Arrastei a cabeça pro lado da janela e perguntei sobre o outro envolvido na fatalidade. Ele disse que iria procurar o rapaz e descobriu que ele tinha quebrado o pé e que já haviam chamado o Detran. Na volta, perguntei se ele tinha celular e pedi que ligasse para o meu... não o encontrava na bagunça do interior do carro. Tocou, estava embaixo (ou em cima, dependendo do ângulo) do banco, consegui pegá-lo, junto com minha carteira com os documentos e saí me arrastando pela, agora, estreita janela.

Uma mini-multidão já estava no alto da ribanceira, os policiais já haviam chegado ao local. Foram logo perguntando “quem era o condutor do Fiesta?” Ergui a mão e fui interrogado sobre o acidente, tudo com muito respeito e profissionalismo, por parte deles... não pensei que seria tratado daquela maneira, mesmo porque, havia atingido, involuntariamente, aquela moto. Quando terminei de descrever o ocorrido a ambulância já estava removendo a vítima para o Hospital da Restauração. Liguei para o marido da minha prima, que é médico, perguntei se ele conhecia alguém que pudesse fazer algo pelo "pé do cara"? Ele respondeu que o Hospital era referência no NE nesses casos e que eu não me preocupasse.

Agora era esperar o guincho, a carona com o agente da seguradora, acompanhar o “resgate do carro” e torcer pra dar perda total. Tinha um casamento para ir à noite, já não tinha carro, mas os amigos já haviam me dito, por telefone, que me levariam... é bom ter amigos.

P.S.: O fato interessante foi ter respondido, umas três vezes, aos transeuntes curiosos da PE-35 à seguinte pergunta: “o motorista morreu?” Sorri e agradeci, de novo, a Deus, por ter preservado essa minha frágil vida.

6 comentários:

luma disse...

Nessas horas de risco que damos valor à vida.
Já passei por situação quase parecida. No meu caso, havia neblina e apareceu do nada um fusquinha, véio, caindo aos pedaços e andando como uma carroça. Tentei freiar pra não chocar na traseira, não deu tempo, joguei pro lado e bati no barra que dividia as pistas. O carro voou de lado, derrapando e foi cair em cima de uma plantação de braquiara.
Isso tudo aconteceu em segundos e tudo "brilhava", o pensamento ficou vago.
O final também foi feliz, graças à Deus!!
Boa semana! Beijus

Claudia Perotti disse...

Escapar de uma dessas é uma benção! Tudo de bom!!!!!

A verdade é que não sabemos nunca quanto tempo vamos estar por aqui e quando encerrará nosso show!

Beijinhossssssss

Diana disse...

Olá.....

Graças a Deus.....tudo terminou bem.....
Boa semana...
Bjs...

Caparica disse...

Cagão!

Luci disse...

vixe!nunca aconteceu nada comigo, só umas finas de vez em qdo., mas imagino que não dá tempo de pensar em nada mesmo!
bjs!

Ana disse...

Anota a data e comemora aniversário, no ano que vem!

A vida é frágil, sim! Vamos encarar os fatos e aprender a não desperdiçar nenhum segundo!