3.8.06

Aonde se quer chegar? - final

A viagem de ônibus duraria cerca de oito horas. De avião só levaria uma, por isso, durante o embarque fiquei um pouco tenso, imaginando o que aquele número queria dizer. Nessas horas pensamos logo no pior: será que vai cair? Tem alguém da Al Qaeda aqui? O modelo do avião é o Folker-100? Não! É melhor ficar calmo e mentalizar que tudo dará certo!

Minha poltrona era a 28, logo, de acordo com a regra, o número um ainda me perseguia, mas a surpresa maior foi quando descobri a minha parceira de fileira, não que a proporção de mulheres em relação aos homens entre os passageiros fosse desfavorável, muito pelo contrário, mas sentou-se do meu lado a mulher mais charmosa que eu já vira em toda a minha simplória existência. Levei alguns segundos para “arrumar a casa” no cérebro, e conseguir, finalmente, dizer: boa tarde? (quase um tartamudo autêntico)

Ela respondeu com um sorriso, lindo por sinal, bem ao estilo Carmem San Diego das estórias de detetive, e pediu para que eu a ajudasse a colocar a bagagem de mão no porta-malas. Ajudei-a e Prontamente me apresentei, ela também me disse o seu nome: Rayanne.

Sempre tive uma inexplicada predileção pelos de difícil escrita, bastava soar estranho, ou ter impronunciáveis conjunções grafológicas, ou qualquer outro apetrecho “espetaculoso”, e já era um passo rumo à paixão... nesse caso, se seu nome fosse um simples Carla, já seria suficiente, ante a estonteante beleza da referia moça.

Estávamos prontos para decolar e a conversa se desenrolava muito melhor do que eu poderia imaginar. Custei um pouco a acreditar, mas aquela linda mulher estava se deixando envolver pela minha conversa fácil e boba. Com seu ar compenetrado, fingia se interessar pelo meu trabalho e pelas minhas “manias”, além de me contar tudo sobre ela. Diria mesmo que estava pintando um clima favorável, e quando nos demos conta havíamos chegado.

Coincidentemente, iríamos nos hospedar no mesmo hotel em Sergipe, sugeri que fôssemos no mesmo táxi, ela aceitou. Não a deixei “rachar” a conta comigo, claro, afinal, minhas intenções não eram lá das mais inocentes. Chegamos, e marcamos encontro para um drink no saguão do hotel.

Conversa vai e vem, e lá “pras tantas”, resolvi contar-lhe sobre o “caminho numerológico” que eu percorrera até ali, e de como o número mexeu comigo e com minha imaginação. A certa altura da minha revelação. Notei que seu rosto empalidecera ligeiramente, como se eu dissesse algo realmente impressionante. Ela começou a perguntar mais e mais sobre esse lance de números, e se eu achava isso realmente um indicador de rumo a tomar na vida, acho que devido a minha situação de recém-separado e diante da primeira vontade de me envolver de verdade com alguém, não pensei duas vezes, respondi que não tinha nenhuma dúvida de que aquele encontro aconteceria a todo custo, e que achava que dessa vez iria dar certo (sempre achamos isso). Foi então que veio a surpresa maior. Ela levanta, coloca a chave do seu quarto em minha mão e sai apressada em direção ao elevador. Confesso que fiquei meio atônito nessa hora, sem entender muito bem o que acontecera, até que olhei para a chave: quarto 1405.

4 comentários:

Anônimo disse...
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Tata disse...

Uau! Que belo final...
Beijos n'alma

Mack disse...

No final, sabe-se que verdadeiras histórias de amor acabam concretizando-se em uma combinação diferente: 502!

Beijo b...

LUMA disse...

SÓ SEI QUE NADA SEI...PENSO,LOGO DESISTO!
UM BEJO DE UMA MULHER DE 30