19.12.05

A curiosidade quase matou um homem

Todo mundo sabe que mulheres são muito, muitíssimo mais curiosas que homens. Há os exemplos mais clássicos possíveis a respeito desse comportamento: em um deles, com base religiosa, deu-se quando Eva induziu o pobre Adão a dar uma mordidela na tal maçã, causando suas expulsões do paraíso, como sabemos. Também pudera, Deus deixa a faca e o queijo nas mãos de dois “famintos”, e ainda espera que eles, apoiados por um tal de livre arbítrio, não o coma, e, diga-se de passagem, muito bem comido, afinal, estamos aqui!

Acho que Ele já sabia o que iria acontecer, mesmo porque deixou uma serpente lá dentro que garantiria a confusão; em outro exemplo, este com base científica, a curiosidade feminina foi benéfica para o desenvolvimento da humanidade. Enquanto nós, há quatro mil anos, trogloditas puxadores de mulhe sapiens pelos cabelos, saíamos em busca de mantimentos e de caça para o sustento da tribo nômade, as mulheres, que ficavam no “acampamento”, observavam as crianças, os insetos e a germinação das sementes de frutas atiradas no “lixão”, descobrindo assim, a agricultura, e conseqüentemente, tirando o homem do seu estado extrativista e colocando-o um passo acima na evolução: viramos sedentários.

O motivo real deste texto está relacionado diretamente ao tema, e aconteceu com duas almas conhecidas, predestinadas a viver juntas, diziam alguns, mas que por algum motivo sórdido, ainda não conseguiram “acertar os ponteiros”.

Por não saberem, ao certo, o porquê daquele amor imenso, buscavam informações em todo tipo de fé: estudos grafológicos, crendices populares, e até no sobrenatural. Eles sabiam que não poderiam viver um amor quase inabalável, enquanto algumas arestas não fossem aparadas. Quando juntos, era como se um êxtase de conforto e paz os envolvesse em gestos e olhares de sublime encantamento. As poucas horas passadas juntos, lhes valiam como vidas inteiras. Se amavam, não se largavam, e se amavam de novo, e de novo...

Até que um dia, a distância que seus mundos lhes impusera fez com que três palavras iniciadas com “c” os pusessem à prova: para ela, a curiosidade por um outro caminho... um caminho, talvez mais fácil, e menos doloroso, apesar de menos “recompensador”, creio, fez abalar as sólidas diretrizes dele. Fora tomado por um acesso de ciúme, desses vorazes que elevam a temperatura do peito, causando um tipo de azia cardíaca, deixando vir à tona sentimentos como insegurança e descrença, nunca dantes experimentados, resultado: medo de perder a sua essência, de não agüentar o sofrimento, de secar.

Mas algo mágico, ainda estava por acontecer, alguma reação em cadeia que iria os tornar aqueles seres desejados, unos em sincronismo, complementares, cúmplices. E era essa a última palavra com “c”, cumplicidade, que os faria viver a maior e mais arretada estória de amor que eu já ouvi falar, e que, tenho certeza que será eterna, enquanto viverem...

P.S.: Obrigado a vocês, mulheres, pela mordida, pela agricultura, e pela cumplicidade.

4 comentários:

Tata disse...

Adorei!!!
E, o melhor foi o "mulhe sapiens"...
Muito bem escrito!
Beijos n'alma

Claudia Perotti disse...

Belo texto, menino!
Posso dizer que adoro ler-te!
Beijos

Mack disse...

O bom é que no final, venceu a cumplicidade. Essa sim eterna.
Os sentimentos pequenos se vão, levados pelo vento, pra nunca mais voltar.
E ficam as lindas manhãs. A leveza no corpo, a segurança na alma. Fortalecendo as certezas.
Fica também mais um lindo texto, registrando a nossa história, a nossa luta diária por esse aMoR.

Beijo b.

Laura disse...

Que lindo, bj laura