8.11.05

Em nome da honra

Assistir a bons filmes pode nos proporcionar tanto crescimento quanto a leitura de bons livros. Talvez os meus amigos “cabeças” não pensem o mesmo que eu da sétima arte, até os entendo. Não aceito, mas entendo. Argumentam que filmes têm o “timing” acelerado, não deixando brechas para reflexões ou contestações, além de dizerem que a leitura proporciona um maior uso da imaginação e ampliação da bagagem cultural, blá, blá, blá... lendo, conseguimos voltar ao parágrafo anterior, confabular e discutir sobre o texto, o tempo que for necessário, buscando a aceitação ou a discordância sobre o que quis dizer o autor, bravejam.

Nos tempos modernos, aparelhos como DVDs ou filmes em arquivos digitais, nos deixam mais próximos do recurso “marcador de página”. Podemos assistir com pausa, rever a cena rapidamente e até ouvir os comentários do diretor. Para quem gosta de fotografia e trabalha com produções audiovisuais, como eu, é um “prato cheio”. Visualizamos detalhes que ajudam a enriquecer as idéias sobre vídeo digital.

Outro dia, assistindo ao filme Cruzada, deparei-me com inúmeras citações que Balian, personagem de Orlando Bloom, um homem que usou a razão e a honra para alcançar o discernimento correto, visando guiar suas ações; numa delas, dizia: – “...aprendi muito sobre religião com o senhor, bispo”. – O referido sacerdote, a despeito da sua função religiosa, humanitária acima de tudo (pelo menos na teoria), vendo que a batalha contra os muçulmanos já era dada como perdida, vez por outra incitava o nosso herói a bater em retirada de Jerusalém, deixando o povo à sua sorte: – “... vamos pegar o cavalo mais veloz e fugir...”, – bem ao estilo Leão da Montanha, pela direita.

A reflexão a que me referi no primeiro parágrafo seguiu-se instantaneamente. Citando um ditado popular que por aqui no Recife é muito usado: “bom no bom todo mundo é... quero ver é bom no ruim?”. Até (e, principalmente) nos dias de hoje, os homens que deveriam comandar seu povo, apaziguar turbulências, ou manter a calma, transmitindo-a para seu próximo, são apenas homens comuns, que revelam-se egoístas e covardes em horas indóceis, onde deveriam ser verdadeiros heróis, e quando falo de comando, não é só do político, mas também do religioso e até do familiar, já que os mais jovens precisam de exemplos honrados desde o berço.

P.S.: começou leve, terminou pesado, mas pelo menos foi curto.

2 comentários:

Laura disse...

O bom é ser bom no ruim, né? abs, laura

Sil disse...

Obrigado pela visita...
É importante e tão difícil ser bom.
Bjos